Terça-feira, Junho 23, 2009

Mais 30 dias, por favor!!!!


Minhas férias estão acabando...
ô tristezinha

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Ausência

Fecho os olhos. Tento não ver a Ausência crescendo na sala, sentada no sofá, pernas roxas cruzadas, dedos tilintantes a bater na mesa de canto. Fecho os olhos e sigo esbarrando nos móveis, na camisa que ficou jogada e ouço a respiração pesada da Ausência que me encara. Não olho, mas sinto sua baforada quente e percebo seu sorriso cínico.
Sigo, com vontade de fugir. A ausência me assusta.
Vontade de me trancar no quarto, de não fazer as unhas ou tirar a sombrancelha. Assim, quem sabe, não sou eu a assustar a Ausência?
Canto alto, falo, grito para que o barulho a encubra. Não adianta. Se eu respiro, o silêncio basta para que eu ouça seu murmúrio infinito.
Ela cresce e eu me restrinjo.
Não quero seu abraço, Ausência. Nem o seu sorriso.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Diploma de jornalista

A defesa da obrigatoriedade do diploma de jornalista por uma jornalista soa suspeita. Bem, agora soa suspeita e inútil...Mesmo assim, vou pontuar razões para lamentar a decisão do STF.
O argumento das empresas de comunicação, principais interessadas nessa falácia, é de que a obrigatoriedade cerceia a liberdade de expressão e que em países como EUA e Japão o diploma não é exigido.
Bom, em países como EUA e Japão o nível de educação do povo é muito diferente do encontrado por aqui. Os cursos americanos de jornalismo continuam concorridos porque a exigência da formação e de bagagem parte do público consumidor de informação e, por sua vez, move as empresas. Vale lembrar que nos EUA, votar também é voluntário.
No Brasil, infelizmente, consome-se qualquer coisa.(Brasília que o diga.) A única razão para as empresas de comunicação cultivarem profissionais mais capacitados e, por isso, mais caros era a exigência legal.
Ouvi dizer: deixa estar, isso é passageiro. A sociedade vai sentir falta do profissional formado e exigir a volta da obrigatoriedade.
Lamento, mas não acredito nisso. A única esperança para a sociedade brasileira era ser desperta pela educação. Se não se ouvirem vozes martelando essa verdade, se não existir gente compromissada com a formação cultural de alto nível, defendendo essa matéria, a população vai se entreter com qualquer outra coisa e esquecer. Os exigentes vão procurar a CNN e a BBC, os ricos zapeando pelos canais fechados, os não-tão-ricos, no youtube mesmo.
Os noticiários serão tomados por gente mais bonita, as páginas dos jornais ficarão nas maõs de quem se dispõe a trabalhar por salários cada vez mais achatados, com carga-horária cada vez mais pesada, sem chances de aperfeiçoamento. E não será agora, nem depois de amanhã, mas a qualidade do jornalismo vai cair. É inevitável.
Como jornalista há quase 10 anos, não temo a concorrência. Não temo o aumento das faculdades, mas temo com profunda tristeza viver num país que despreza os critérios.
Temo a barganha profissional, temo a opressão e a escolha entre me curvar ou mudar de ramo. E, definitivamente, não acredito nessas liberdades pautadas na ignorância e na promoção do medíocre.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Bati

Bati o carro, só machuquei meu ego e meu bolso, claro.
Do volante do meu ford Ka, já fiz um Sport Age capotar, há uns 5 anos.
Agora, quis medir força com um Troller.
Ninguém pode negar que o Jaiminho, meu Ka, é valente.
E agora, com 10 anos, o possante já não paga IPVA! Vou arrumar e ficar com ele :)

Sábado, Maio 23, 2009

Recomendação

Blog do meu marido.
Até hoje não me acostumei a "ter marido". É estranho. Aí fico falando dele pra todo mundo que é pra me convencer de que ele existe mesmo e eu não estou sonhando.
Bom, se ele não existir, nesse momento tem uma alucinação ouvindo (e dançando) Jethro Tull aqui do lado... Enfim, confira lá o L. Reporta.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Janaína

Quando o carro da reportagem estacionou, ela foi a primeira pessoa que eu vi. Linda, pele rosada, olhos de mel, cabelos cacheados. Aos dez anos tinha uma voz firme e doce. Gordinha, daquela gordurinha infantil firme e saudável. Linda, sem seios, sem cintura, com uma feminilidade delicada e ingênua.
Precisei confirmar se era ela minha entrevistada.
A matéria era sobre pedofilia. A menina sabia, confirmou com a cabeça e esperou que eu dissesse o que era preciso fazer.
Eu já entrevistei uma dúzia de vítimas de pedofilia. É impressionante como todas, até hoje, se pareciam. Eram crianças desenvolvidas fisicamente e em quem o abuso apressou a descoberta da sexualidade. É difícil descrever, mas são donas de um olhar fugidio e embora não demonstrem saber ao certo do que são vítimas, na fala parecem partilhar um envolvimento no ato. Não sei. Não sei definir, mas seja o que for, não acontecia com Janaina.
Janaina foi abusada durante dois anos.
Começou aos 8, quando os pais e a avó paterna viajaram para pagar promessa em Trindade e a deixaram com o irmão sob a supervisão do namorado da avó. A tarde, todos se deitaram para um cochilo. O homem no meio, entre ela e o irmão. Janaina acordou com o sujeito beijando seu pescoço e tocando suas "partes" — palavras dela. Carinhos que a criança não entendeu. Achou estranho, tentou ligar para o pai, mas o celular não funcionou. "O homem disse que era bobagem minha e que não precisava contar nada a ninguem. Depois me ameaçou. Se eu contasse ele matava todo mundo"
Janaina gosta de ler e deixa escapar essa qualidade pelo vocabulário que tem. Janaína é linda e doce e eu estou presa no surreal que é a descriçao do abuso saindo da sua boca de menina. Ela me conta tudo, detalhada e pausadamente. As mãos se torcem a frente do corpo, apertam Gelinho, um boneco de neve de pelúcia, com nariz de cenoura. Os olhos de Janaina devassam os meus.
Ela conta que tudo piorou depois que o homem também trouxe o filho de quinze anos para as seções de violência. "Enquanto um estava comigo, o outro vigiava a porta". Doía. Humilhava.
Preciso entrevista-la mas a cada pergunta me sinto um pouco agressora. Ela responde com doçura, sem me recriminar. Pergunto se o criminoso foi preso. "Não, ele está solto e eu tenho medo". Não só está solto, mas continua vivendo com a avó. E essa é a primeira vez que Janaina parece adulta. Os olhos faíscam quando ela me conta que quando a avó soube culpou a menina: "Como você pode fazer isso comigo, Janaina?" — ela reproduz e eu percebo um tremor no lábio. Depois passa e ela sorri.
O pai me contou que só descobriu porque a filha sempre alegre começou a chorar por nada. "Ela ficava encolhida, só nos livros ou com os ursinhos, trancada no quarto, chorava por qualquer coisa. Suspeitei, mas não quis acreditar."
Não há nada de sensual em Janaina. Ela não tem curvas, não tem seios, não tem malícia. Nem mesmo agora.
Janaina é amável e doce e quando a abracei no final, fui eu quem ganhou consolo.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Um post em construção...

Gosto de uma expressão que C.S Lewis usa em "Quatro Amores". Ele diz que não se pode dissecar nada que esteja vivo porque, ao se fazer isso, o pulso acaba.
Contemplar a vida, a fé, o mistério é um bom exercício. Já querer explicar, destrinçar, escarafunchar na expectativa de se controlar o todo é uma grande ilusão.
Na matemática, a razão é sempre uma redução. Talvez, brigar por isso seja uma grande bobagem.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Caretas

É mania minha. Mania feia. Respondo muita coisa com careta. Capacidade estranha de franzir as bochechas, levantar lábios e nariz e repuxar os olhos. Tudo ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, nem tô achando tão ruim...

Mas às vezes tô sim.

Sábado, Abril 11, 2009

Aquisição




Terça-feira, Abril 07, 2009

Dia do Jornalista *

Você é, muitas vezes, mal entendido.
Outras tantas, cobrado demais.
Quase sempre está correndo.
Quase nunca deixam você em paz.
Todo mundo acha que você tem o melhor emprego do mundo.
Você sabe que tem, mas há dias em que você trocaria de lugar com o guarda de trânsito.
A gente sabe, a gente entende...

Por manter-se firme e atento, sob sol ou sob chuva;
por perseguir o ideal, sendo reconhecido ou não;
por desejar e lutar pela melhor informação, pelo melhor resultado,
parabéns jornalista !

Domingo, Abril 05, 2009

Marilene

A casa era pequena. Três cômodos apertados e quentes. O corpo de Marilene era a primeira coisa que se via ao entrar na cozinha. Estirado, ocupava dois terços do espaço. O lençol branco que a cobria até o pescoço parecia a única coisa limpa na casa.
O marido de Marilene, sentado num banco ao lado do corpo, chorava e transpirava muito. Talvez lembrasse da última briga... ou do último beijo.
Marilene era diarista e vendia churrasquinho no terminal. Aos quarenta e cinco, tinha energia pra muita coisa e ao chegar do trabalho, ainda foi cuidar da casa. A primeira tarefa era lavar roupa, depois ia varrer a casa, lavar a louça, preparar o almoço. Talvez estivesse pensando na lista de afazeres quando levou a mão para encaixar o fio desencapado na tomada. Ela já fizera isso tantas vezes, ela mesma consertara a ligação, ela mesma comprara o tanquinho de terceira mão. Sacudida pela descarga elétrica, Marilene teve tempo de gritar, talvez um grito involuntário. O marido chega a abraça e também toma o choque, no susto a solta e se lembra de desligar a energia. Marilene cai sobre o taquinho que se espatifa. Marilene é grande e pesada. Ocupa dois terços da pequena cozinha. E o marido chora —"Ela tava com uma fisionomia feia, pesada...Agora, tá com o rosto de anjo, rosto de boneca"

Terça-feira, Março 31, 2009

Aneimmm

O que me fez prestar atenção à matéria da Globo News sobre a substituição do vestibular pela prova do Enem foi a sonora de um dos caras entrevistados e defensores da idéia. Não deu tempo de olhar o crédito, mas o sujeito disse que o ideal seria uma prova que avaliasse a capacidade de resolução de problemas e com perguntas relacionadas entre si "como é as questões do Enem"...
Então, tá!

Sobre comer mamão



Desde que eu era criança, admiro as peles lisinhas. Gente que não tem acnes e que brilha. Gente que come mamão e aveia. Eu já tentei ser assim. Já comprei papaias e nas vezes em que comi gostei. Pena que a maioria deles ganhou nome de tanto tempo que passou na geladeira até criar aqueles fungos terríveis e serem banidos. Eu continuo comprando e continuamos, os mamões e eu, envelhecendo com nossas peles encrustradas...

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

O Garçon

Carlos é garçon em um café elegante. Observador, viu logo que eu estava esperando alguém. Era minha sócia, que estava atrasada, e um cliente em potencial. Para não me deixar ali sozinha esperando, ele puxou papo. Negro de uns 50 e poucos anos, Carlos carrega na voz uns chiados cariocas. Está em Goiânia há quase duas décadas, veio visitar a namorada, arrumou emprego e ficou. Perguntei se casara-se com ela. Ele fez uma cara carioca, e me contou.
Quando chegaram aqui, a mulher passou a frequentar uma igreja evangélica e, coerente que era, palavras dele, não minhas, adotou tudo o que era prática nessa igreja. Assumiu que era hora de casar e pediu Carlos em casamento. Ele quis pregar uma peça. Disse que não casava e sem ela saber entrou com a documentação no cartório.
Mas o estrago estava feito.
Um dia Carlos chegou em casa e só encontrou o bilhete com uma só palavra: FUI. " Pensa num negão que chorou!" - Carlos conta sorrindo, sem esconder que ainda sofre.
Seis meses depois (naquela época demorava) os papéis ficaram prontos. Carlos foi atrás da namorada. Rodou Goiás e a encontrou em BH. " Mostrei pra ela no calendário. Este foi o dia em que você me pediu. Este, quando entrei com os papéis. E aqui, você se foi"
A namorada chorou amarga, mas depois passou. Ela é missionária pela igreja. Os dois ficaram grandes amigos. E ela ainda diz que ele foi o único a quem amou.

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Pneu Queimado

O que faz o povo pensar que enfileirar pneus na rodovia e tacar fogo na borracha vai sensibilizar alguém? Em dias de preocupação com o meio ambiente, com informação de sobra sobre os efeitos da poluição na saúde e na natureza, como explicar essa atitude totamente burra?
Será que as pessoas acham que a autoridade responsável, trancada no ar condicionado, vai se importar com a fumaça que arde nos olhos delas mesmas?
Eu não entendo essa "lógica". Funcionaria muito mais se todo mundo usasse a cabeça pra pensar numa forma mais ecologicamente correta de incomodar os outros. Tipo... que tal juntar a vizinhança para que todos liguem sem parar para o escritório da repartição ou órgão responsável. Assim, para o telefone não ser utilizado pra mais nada.
Ou ainda fazer panelaço de madrugada na casa do prefeito ou do governador... e idéias para encher a paciência não faltam. Aliás, vou abrir uma consultoria no tema. Quem quiser e precisar pode entrar em contato.

O Pato do Zoo

Essa semana fiz uma matéria sobre a chegada de um jacaré açu no zoológico de Goiânia. O bicho mede quase 4 metros, pesa mais que 300 quilos, deve ter, pela cara, uns 40 anos e chegou fazendo o maior sucesso, com direito a aparições em todos os jornais da cidade.
Estava eu lá, sabendo quais seriam os procedimentos e o diretor do zoo me disse que por enquanto só iriam esperar pra saber se o jacaré iria sobreviver. Afinal, são animais de metabolismo lento, explicou. Enquanto o diretor falava, percebi que vários peixes nadavam sossegados pelo tanque, pareciam não sentir a presença do monstrengo. O diretor explicou que o jacaré parecia saciado, que jacarés as vezes demoram meses para se alimentar. Poderia ser também uma questão de gosto e, muito tranquilamente, ele acrescentou que se o bichão não se interessasse pelos peixes, colocariam um pato no tanque...
O diretor continuou falando mas eu só pensava no pobre do pato... O que o faria valer menos que um jacaré? Oras, o jacaré não tem apetite, problema dele! — pensaria o pato com certeza se consultado fosse e diria mais! Diria que chegou primeiro, que é menor, poxa vida! E se alteraria ao exigir que jogassem outro. Por que não uma tartaruga, uai?

Domingo, Janeiro 18, 2009

Os Gêneros na Alemanha.

Não deve ser fácil ser uma mulher alemã.
Se estou aprendendo direito essa língua estranha, as meninas alemãs devem passar por uma grande crise até se sentirem femininas. Quando é apenas criança, Das Mädchen é neutra. Não é nem feminina, nem masculina. Nem Die, nem Der.
Como assim? Alguém me explica essa maldade!
O menino, der Junge, já se reveste de sua inegável masculinidade. A menina não. Precisa se tornar mulher, die Frau, para se diferenciar de uma casa, das Haus.
O curioso é que uma porta adquire gênero assim que surge. Fechada ou aberta, die Tür é a porta. A menina não. A menina é neutra. Neutra como um carro, ou um prédio. Das Auto e das Gebäude são como das Mädchen.

Alguém me corrija se eu estiver errada.

Pensando em Alemão

Entre minhas disposições de ano novo está aprender alemão. E eu comecei. Estou estudando sozinha por meio de um site interessantíssimo chamdo Livemocha.
Pois bem, acho que é o meu maior desafio desde o aprendizado do Logarítmo.

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Nem de cavalos, nem de flatos

Meus pais são ostras, cheias de pérolas. Essa eu ouvi no primeiro dia de folga, assim que cheguei em casa.
Estava minha mãe satisfeitíssima com algum agrado feito por meu pai e os dois se elogiando mutuamente, aquele desfile de meu qualquer coisa pra cá, minha aquilo outro pra lá até a coroação: " Inda bem, né, que a gente tem um ao outro! Assim é um [potro e otro pum!] "

huahuahuahuahuahuahuahau

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

Meu presente de Natal

Há dois anos comemoro um só presente. O melhor de todos.
E vacilo entre o desejo de exibi-lo em toda conversa, a cada minuto, e a ganância de guardá-lo escondido.
Só sei que não divido e não quero outro.

Domingo, Dezembro 21, 2008

Ingratidão — o mal do século

Da série Mundo Estranho :

Mulher é resgatada de acidente e processa salvadora nos EUA

Caso foi parar na Justiça da Califórnia.Acidente de carro aconteceu em novembro de 2004.

Do G1, com informações da Associated Press

Após ajudar uma vítima de um acidente de carro, uma mulher está sendo acusada de maus-tratos na Justiça de Los Angeles, nos Estados Unidos. O detalhe, porém, é que a pessoa socorrida é quem fez a acusação.
Em novembro de 2004, Alexandra Van Horn estava no banco do passageiro da frente de um carro, quando o veículo se chocou contra um farol a cerca de 70 km/h.

Lisa Torti vinha em um outro carro logo atrás quando viu o acidente. Ela, então, tirou Van Horn do veículo.

Segundo Torti disse no processo, ela saiu do carro onde estava e correu para tirar Van Horn porque o veículo iria explodir.

Van Horn afirmou que foi tirada dos destroços como “uma boneca de trapo”. Ela ainda culpa Torti por ter ficado paralítica.

Para a Suprema Corte da Califórnia, a atitude de Torti na hora do resgate não foi qualificada como uma forma adequada de ajuda emergencial. O juiz Carlos Moreno escreveu que uma pessoa estranha não é obrigada a ajudar alguém em perigo. “Se, por acaso, uma pessoa quer ajudar outra, ele ou ela tem que ter prática de socorro”, disse.

A decisão final ainda não foi determinada.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Os Dedos na Barba

Na frente do espelho, Gilmar passa os dedos pela barba, tentando lembrar que nome se dá ao gesto. Existe uma palavra única para descrever a ação e não é coçar, nem alisar, nem tocar.
São pelos desalinhados que estão entre seus dedos. O que ela pensou com o pedido era o que Gilmar queria saber, bem mais que descobrir a palavra que definia a mão na barba. Aquele homem amarelado, de cabelos oleosos e esparsos pedindo o telefone dela. Que vergonha Gilmar sentia! Não entendia de onde viera a coragem para se aproximar da mesa em que ela estava. Não que a tenha achado bonita, era sorridente, parecia ter algo importante a dizer. Ele se aproximou e tocou-lhe o braço. Ela se virou e não fechou de vez o sorriso, mas alguns dentes se ocultaram. Pois não, ela disse. Se estivesse aberta teria dito pois sim?
Gilmar queria o telefone, mas ela disse que preferia pegar o dele. Era difícil encontrá-la, ela explicou. Por que não insistiu? Ele não insistiu no telefone, disse logo que queria um encontro. Ela já não sorria, mas amigas com quem dividia a mesa quase não se continham.
Passar a mão na barba não era só roçar a barba e por que ter barba? Imaginou o rosto pelado, mais limpo e mais amarelo. Olhou para a camisa também, bege, de linhas caramelo, surrada no colarinho. Deveria usar mais polos, mas não gostava, nunca achou que combinasse. E a calça social cinza, combinava?
Ela não vai ligar. Gilmar tenta enterrar a esperança, os dedos na barba, os olhos na barba. Qual é a palavra? Gonviar, Gofiar?
E isso foi o mais próximo que Gilmar chegou de tudo que perdera na vida.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Tudo é nada

Poucas coisas são mais frustrantes numa entrevista do que a pessoa responder repetindo o termo usado na questão e adicionar um "é tudo" no final.
Tipo :
"O que você pensa do Natal?" — "Ah, Natal pra mim é tudo!"
Tá, a pergunta não ajuda... Vou dar outro exemplo:
"Você gosta do trabalho?" — "Ah! O trabalho pra mim é tudo!"
"Você se dava bem com ele?" — "Ah! Ele pra mim é tudo!"
E é sempre desse jeito, precedido de um sonoro e prolongado "Aaah!"
Como assim????
Será que a pessoa não consegue pensar em nada além de "tudo"??

Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Cortesia

A mocinha aqui chega em casa às 23h. Trago a cara do trabalho, uma mochila nas costas, uma mala no ombro, tão pesada que me obriga arquear, um galão de 3 litros de água na outra mão.
Paro em frente ao elevador, ao mesmo tempo em que o fazem outros dois homens. Hesito, achando que alguém vai apertar o botão. Você apertou? Nem eles!
E lá vou eu, malabarista, chamar o elevador para os três. O elevador chega e nenhum dos mancebos se dignifica a abrir a porta! E lá vou eu, carregada, abrir a porta enquanto os dois murmuram mal de algum conhecido. Entram e um deles lembra que não checou a correspondência. O outro segura a porta e espera o coleguinha ir ver o escaninho! E eu lá dentro, sem acreditar na falta de respeito.
Devo ter feito alguma cara, claro que fiz, por que o sujeito se mancou e apressou o outro gritando. O grito foi tudo, nem um pedidinho básico de desculpas saiu.
Quem saiu do elevador fui eu, bestificada.
É o fim, não é?

Terça-feira, Dezembro 09, 2008

Grotesco Remoto

É passado, ficou há dois dias atrás, mas meu plantão ainda me impressiona.

Desde sábado, só fiz tragédia. Primeiro, foi a jovem de 25 ou 28 anos, não lembro, que tomou um tiro num peito, enquanto do outro amamentava a filha de 3 meses. Uma menina linda, a Nicole.
Da mulher, não lembro o primeiro nome, mas sei que era Da Conceição porque relacionei com o seu maior desejo, mencionado pelo viúvo em choro — "ela sempre quis ter uma filha".
Olhei para a foto da mulher, em pose de modelo. Não era bonita, mas parecia feliz. Na casa de 3 cômodos, o armário de cozinha esperava as panelas que a dona não teve tempo de organizar.
O marido mostrava tudo, não sei pra quê, e abraçava a filha como se a criança ainda estivesse em risco, como se de uma hora pra hora, Nicole também pudesse morrer... Para ele, de quem não me lembro o primeiro nome, mas sei que o segundo era Cândido — porque no início achei que ele fosse o alvo da bala, e portanto, de certa forma culpado pela sina, mas depois vi que o pobre só errou pela ingenuidade, de parar o carro no meio de um tumulto armado — para ele, qualquer coisa estaria sempre ameaçada.
Olhei para Cândido e me imaginei passando por isso. Não aguentei. Imaginei meu marido passando por isso, meu pai vivendo esse drama. Imaginei crescer como Nicole crescerá. Não deu pra colocar nada disso no off.

No domingo, fui a uma cidade pobre, registrar a morte suspeita de um bebê. A informação é de que o corpo estava na casa da babá, onde a criança de 40 dias morrera na madrugada.
Chegamos, e na varanda estavam Francisca, a babá, e Daiane, a mãe da criança. As duas fumavam e esperavam o IML. Desci perguntando se fazia tempo que tinham comunicado a morte. As duas disseram que sim, e me levaram para dentro. Outra vez, uma casa de 3 cômodos, contando com o banheiro. Nela moravam Francisca, quatro filhos e mais o João Gabriel, que passava a semana, enquanto a mãe dormia no trabalho, onde também era babá como Francisca.
Daiane tem 19 anos, mãe solteira, a família toda no Maranhão. Permaneceu calma quando o pessoal do IML chegou e um homem de luvas levou o bebê, segurando-o na vertical, pelos braços flexionados, com a toca amarela e envolto numa manta da mesma cor. Só deu pra ver a cabeleira escura. Daiane não derramou uma lágrima. Pegou o papel que seria necessário pra liberar o corpo e saiu, andando sozinha pela rua sem casas. A câmera a acompanhou um bom tempo. A cabeça baixa, e eu sei que não posso dizer isso, mas a sensação que tive foi que ela respirara com alívio.
Mal tive essa impressão, escuto um soluço atrás de mim. Francisca encostada na porta, tremia e chorava muito. As lágrimas fortes rolavam pelo rosto escuro e caiam nos seios fartos e livres dentro da camiseta cavada. Já vi gente chorando, e Francisca chorou como poucas mães. Tentei entrevistá-la e ela não conseguia responder. Sentou-se na cama, com as roupinhas do bebê de quem cuidara por uma semana em troca de poucos reais. Respondeu às perguntas que eu e outro colega fizemos, contou que deu leite ao menino, o fizera arrotar, colocou-o na cama, como fazia com os quatro e achou estranho, três horas depois ele nao acordar de novo. Quando viu, ele estava morto. Era um prematuro, nascido de 7 meses, que passara 20 dias internado com problemas respiratórios, mas era amado, amado por Francisca.

Mal fechara o texto, eis outro chamado. Acidente com duas mortes. Chego lá e as vítimas eram duas irmãs, de 8 e 11 anos. Chegamos quase que ao mesmo tempo dos pais. Um corpo, o da mais velha, já estava na calçada, sobre um papel branco e coberto. A mãe desesperada, retirou aquela mortalha, e abraçou a menina, meio que rolando com ela pelo chão. O sangue escorria da cabeça rachada que a mãe acariciava, ao gemer "minha princesa, minha princesa". O pai parecia drogado, olhava para mulher e não fazia nada. Corria da calçada para o carro, onde ainda estava o corpo da menor. Quando lembrava da caçula, a mulher voltava e entrava no que sobrou do gol quadrado e abraçava o corpo mole da menina, que só parecia dormir pesado.
Policiais que pareciam não ter idéia do que faziam ali, tentaram arrancar a mulher de dentro do carro. Ela gritava, esperneava, que queria as duas filhas juntas e os PMs puxavam-na pelo braço, pelo cabelo.
A cena bizarra ganhou novas tomadas até a chegada do IML. A irmã mais velha foi posta com papel e tudo dentro da gaveta. Da pequena, os pais não deixaram os recolhedores (? é esse o nome? ) se aproximarem. O próprio pai, o mesmo que permitira que as meninas saíssem com um amigo que vira encher a cara o dia todo, ergueu a caçula nos braços e a troxe para ao lado da irmã. A gaveta estava apoiada no carro, meio inclinada e muito vertical. O pai parecia ter medo de machucar o corpo sem vida. Hesitou e por fim colocou as pernas na gaveta e com as duas mãos tentou arrumar o corpinho. A mãe parecia querer ir junto com as filhas, entre outros cadáveres desconhecidos.

Também não consegui fazer o off que queria.

Domingo, Novembro 30, 2008

Sobrando

Javali na adega. Tô assim, desajeitada.
Esbarro em tudo, não bebo nada. Não sei como ainda não me expulsaram.

Sábado, Novembro 29, 2008

Mais uma do orkut


Sexta-feira, Novembro 28, 2008

Essa é boa!







Quase nunca leio essas frasinhas, devo ter perdido muitas piadas.



Quarta-feira, Novembro 19, 2008

Vai entender

Eu amo.
E isso é tão bom!
E é tão terrível também...

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Ai

Será que já dá pra parar de apertar? Mais esprimido que isso, meu coração não fica...