Terça-feira, Novembro 03, 2009

Pela honra de Grayscull


Na infância, minha personagem preferida dos desenhos era She-ra. Motivos óbvios: ela salvava Ethéria todos os dias e ainda podia voar num unicórnio alado.
Tudo era possível quando a princesa Adora erguia a espada e gritava que era She-ra, pela honra de Grayscull.
Pois hoje vivi meu dia de guerreira e heróina no caos que é a Ethéria brasileira. Conheci a Josiane, uma dona de casa de 32 anos e quatro filhos. Um deles, o Lukas de 3, foi diagnosticado como autista.
A Josiane não deixa o Lukas sozinho nenhum instante e por isso teve de abandonar o emprego. Ganha 60 reais do bolsa família e a ajuda da mãe para alimentar os moleques. Pra melhorar a renda solicitou ao INSS a prestação de assistência permanente destinada a pessoas carentes com deficiência, mas contra todo discurso social, o benefício foi negado.
A história chamou a atenção da TV porque Josiane telefonou e leu a decisão que dizia que o filho não era incapaz de ser independente e de trabalhar. Esse é um texto padrão, mas nosso editor entendeu que o INSS estava declarando que o menino de 3 anos era apto ao trabalho. Esse foi o motivo da nossa equipe ser pautada pra contar essa história.
Vi que o texto não era bem esse, mas decidi investir, porque ao chegar na casa de Josiane concluí que se aquela mulher não tinha direito ao benefício, ninguém mais teria.
Sei que a acompanhei até o INSS. Lá, a resposta é que o perito não tinha considerado a doença de Lukas grave. A família era pobre e carente, consentia a assistente social, mas a recusa era clínica. Pedi que ela gravasse essa resposta, ela decidiu pesquisar mais um pouco e foi consultar o perito. Para nossa surpresa, o perito disse que o quadro merecia o benefício sim.
Então o que teria acontecido? Foi a pergunta que fiz.
Erro no sistema, confusão ao se cruzar os dados da análise social e da doença.
Josiane e Lukas tinham direito a uma vida mais digna, mas um erro no sistema retardou a efetivação do benefício. Agora por que ninguém descobriu isso nas outras duas vezes em que a dona de casa buscou respostas? A negligência continuaria a perpetuar a mancada que só cedeu diante da canopla reluzende de meu microfone impertinente.
Diz se não é a própria espada mágica?
P A L H A Ç A D A...

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Franqueza x Verdade,

Meu jornalismo é verdadeiro, mas queria que também fosse franco. Franqueza vai além da sinceridade. Franqueza desnuda a nudez. Assim, meu jornalismo verdadeiro mostra a rodovia e comenta o tráfego intenso na GO, relata os acidentes do último feriado, conta o que a polícia fará pra combater a violência nas estradas.
Meu jornalismo franco diria que eu estava ali porque já não tinha mais assunto e o jornal precisava preencher o tempo, que estavanaquela GO porque não é facil encontrar outro ponto para fechar o link do ao vivo, e que aquele movimento intenso aconteceria hoje, assim como aconteceu ontem e acontecerá na próxima terça-feira e que não são pessoas viajando coisa nenhuma, na maioria são meros trabalhadores com mais sorte do que eu que precisei fazer hora extra.
Mas para ser franco ao vivo, há de se ganhar na MegaSena.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Esperança

Bom, logo depois de expressar minha insatisfação com alguns fatos que me incomodam em Goiânia recebi protestos. Inclusive da minha mãe, dizendo para eu tirar o post porque estava a atrai antipatia. Temei. Costumo ser provocativa mesmo. Então, no sábado, no Bretas do Goiânia Shopping, no coração do Bueno, o inusitado aconteceu. Um senhor que já tinha colocado toda a mercadoria na esteira do caixa, olhou e me viu aproximar-me com um pote de sorvete. Perguntou se era só aquilo que eu e uma amiga iríamos comprar. Disse que sim e ele nos cedeu, graciosamente, a frente.
Portanto, há esperança e eu reconsidero minha opinião generalizada e negativa.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

(Descansar de) Goiás é Bom Demais da Conta

Sempre que me perguntam se eu gosto de Goiás, fico sem resposta. Já ensaiei várias,amenas, debochadas, camufladoras, mas nunca usei nenhuma. Sempre é um "não sei" precedido de um silêncio, um franzir de lábios e um balanço indefinido de cabeça, seguido de uma série de explicações para a dúvida.
Eu não sei se gosto de Goiás, ou mais precisamente de Goiânia, visto que é a cidade que conheço melhor.
O fato: fiz amigos e amados aqui que não faria em outro lugar. Pessoas de Goiás, situações vividas em Goiás marcaram minha vida beneficamente para sempre. Como vou dizer que não gosto daqui? Não posso desprezar os 8 bons anos que tive aqui, vivendo, superando desafios, conquistando espaços profissionais, adulteecendo.

Mas, cá pra nós, Goiás não é fácil. Desculpem a franqueza.

Aproveitei o feriado e mais umas folgas nos trabalhos para visitar meus pais em São Paulo. Em Birigui, noroeste paulista, cidade que fica a 500km da Capital. Não é uma currutela. Tem 120 mil habitantes, o forte é a indústria. Supermercados abrem aos domingos, o comércio é vibrante, tem uma favelinha, criminalidade por causa das drogas, casas com cercas elétricas e os corajosos que se reunem nas calçadas nas noites quentes são cada vez mais raros.
Só que lá revi gentileza que em Goiânia eu não encontro mais.

Na fila do supermercado. Eu estava com uma escova de dentes atrás de uma senhora com mais produtos para passar no caixa. Ela olhou, observou, e me cedeu a frente dela. Afinal, o q eu tinha era tão pouquinho! Pensei que ela esperava alguém e passei, para depois confirmar que foi mero gesto de delicadeza mesmo. Isso nunca me aconteceu em Goiânia.

Para sair com o carro estacionado, bastou ligar a seta. Sem sofrimento, sem ter que colocar os braços pra fora, sem ter que competir. Há uma cultura diferente na cidade. As pessoas não apertam o nariz e liberam catarro na rua. Não encontrei nenhum carro parado onde não devia, e eu procurei.

Em Birigui tive de novo a sensação de que essa loucura por levar vantagem em cima dos outros não é regra. É exatamente isso que sinto em Goiânia e que foi definido por um amigo. Esse amigo, que é Goiano (digo na tentativa de aplacar os ânimos que vou acirrar) descreveu o Goiano Médio-Maioria como um sujeito que precisa passar o outro pra trás. E faz isso furando filas, parando em fila dupla para que ele não perca tempo— dane-se o resto— acelerando quando podia reduzir para que o desesperado que errou a pista possa fazer a conversão desejada, fechando rápido a porta do elevador para subir sozinho enquanto o vizinho carregado de sacolas espera a próxima viagem.
Eu sei que nem todos são assim. Nessa vida de repórter já encontrei gentileza goiana, geralmente entre os mais modestos, mas raro no goianiese médio, morador do setor Bueno, formado na universidade. Isso faz de Goiás um lugar que poderia ser bem melhor.

A sensação não é expressa aqui com um tom de ufanismo paulista, embora eu o tenha e precise confessar. Mas meu tom aqui é de lamentação. Essas considerações não virariam um post se, na viagem de volta, eu não tivesse flagrado um abuso ilustrativo. No posto Alvorada, em Panamá, logo depois de Itumbiara, paramos para almoçar. Meu pai estacionou o carro na área adequada, mas na saída, problemas. Dois carros, os dois com placa de Goiânia, bloquearam a saída, única, rebaixada, marcada, sinalizada. Tivemos que sair atravessando o meio fio por que alguém não procurou parar no lugar certo. Mais uma demonstração de vantagem custe o que custar, como queríamos demonstrar, que impede que minha resposta sobre gostar de Goiás seja resoluta e positiva.




A Parati branca e encurralada é a nossa.
Além dela, outros 4 veículos ficaram sem saída.


A placa de um deles, de pertinho, pra confirmar.

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Opinião

Acredita que tem gente que liga na delegacia para dar "opinião" sobre os crimes? Não é denúncia, nem informação, era opinião mesmo. "Eu acho que quem matou foi fulano"

Sábado, Setembro 26, 2009

Pollyana

“Sabemos que ela era uma mulher inteligente, muito determinada, mas também muito meiga, de fácil trato". Foi essa a definição que Douglas Pedrosa, um dos delegados do caso, usou para traçar um perfil de Pollyana Arruda Borges.
A descrição faz parecer ainda mais absurdo o desfecho. Assassinada com 8 tiros. Dois nas costas, dois no braço esquerdo, quatro no tórax. Antes foi abordada em algum ponto entre sua casa e a universidade onde daria uma palestra. Lutou contra o assassino, alguém que só queria roubar mesmo a vida da empresária de 26 anos. O resto —dinheiro, computador, carro— ficou pra trás, parcialmente queimado.
Até agora, nem pistas de quem fez isso. Nem ideia do porquê.
A dor da família é intangível, mas a morte de Pollyana nos aproxima a todos.
É sinal de uma exposição generalizada à violência, uma morte sem motivo e de tal forma facilitada — ela foi abordada à luz do dia, em uma região central de uma capital nem tão grande assim. Não se trata de uma pessoa envolvida com o crime, com as drogas ou de hábitos arriscados de vida. Trata-se de uma moça que empregava seu tempo no trabalho, que frequentava jantares com casais amigos. Devia ser divertida, devia se enternecer com os pedintes que encontrava na rua, planejar viagens, pós-graduações, filhos. Podia ter sido minha amiga.

Pollyana está morta e não há esforço ou boa vontade que encontre um lado bom para esta história.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Verônica

Logo que virei a esquina, enxerguei a mulher e o menino. Estavam bem na porta do restaurante, lugar gostoso, onde almoçam juízes, funcionários do fórum e advogados que trabalham por ali.
Na porta, a mulher cercava quem entrava e eu não escapei: "Moça, me arranja um dinheiro pra eu comprar uma cesta de alimento?" Eu não tinha trocado. Tinha a nota que iria pagar meu almoço. Respondi que iria trocar o dinheiro antes e entrei no restaurante.
Fui servir-me, mas sentia os olhos da mulher em mim. Era uma morena, aparentemente forte. O menino devia ter uns 9, 10 anos.
Em vez de pena, senti foi raiva.
Como pode uma mulher jovem, devia ter minha idade, pedindo! Porque ela não trabalhava. Ia dizer que não encontra emprego, mas o tanto de gente que eu conheço que precisa de ajudante. Quando se precisa, encara-se qualquer coisa — e assim fui alimentando minha indignação contra a mulher.
Via a mulher pelo vidro e meus pensamentos se amontoavam. Pôxa, ela queria dinheiro fácil mesmo, hein? Eu era obrigada a engolir tudo com pressa, porque o horário de almoço entre um emprego e outro era apertado, nem lembrava da última vez que tinha ficado à toa e ela lá parada com um filho. Correndo como corro, quando ia poder ter filho? Ia poder ter filho? O mundo tão difícil, tanta violência, gente que não trabalha e fica ali postada em portas de restaurantes esperando o dinheiro de quem trabalha e não tem tempo para ter filho. Curioso como os pensamentos irados são circulares...
E o Lula? Querendo tributar poupança, querendo recriar CPMF, pra ter mais dinheiro, pra acirrar a dependência de mais gente como aquela mulher... E ela ainda vinha me pedir ajuda?
Estava decidida. Na hora em que ela me pedisse de novo o dinheiro, perguntaria o porquê dela precisar tanto, por que não trabalhava, oras!
Resoluta, dei a última garfada, posicionei os talheres, fui para o caixa. Ajeitei o troco no bolso da calça, não queria precisar abrir a bolsa, caso a resposta fosse convincente.
Saí e ela perguntou. O menino se levantou do degrau e veio para o lado dela quando eu disse: "Aqui, deixa eu te perguntar, você tá pedindo aqui, por que, hein?" .
Ela explicou que era doente. Mostrou a marca da cirurgia no pescoço. Tinha sido operada de um tumor. Agora o pai estava internado também, outro câncer. Ela não podia procurar emprego fixo por causa dos tratamentos no HC, mas faxina queria. Difícil arrumar. "Eu nunca queria estar aqui, moça. Queria era trabalhar, queria era ter saúde."
Vai besta! Vai se render aos pensamentos circulares! — pensava eu, já levando a mão ao bolso da calça.
Não quis só ajudar com dinheiro. Atrasada que estava, não quis sair dali sem demonstrar humanidade para mim mesma. Sorri, perguntei o nome dela. A conversa tinha mudado de tom. Verônica contou que a irmã estava desde o dia anterior no hospital e que ela queria levar comida para os parentes. Se eu soubesse de alguém que queria faxineira, que passasse o telefone dela.
Anotei o telefone no celular e repassei um dinheiro que achei tão pouco, mas era o que eu tinha. A vontade era de pagar o almoço dos dois, pagar com cartão de débito eu ainda podia... Estava atrasada para bater ponto na TV. Poxa, mas era só fazê-los pesar a comida, pagar a conta, deixaria os dois almoçando... Pensamentos circulares que me enredaram o resto do dia.
Agora deixo o telefone da Verônica aqui. Se alguém precisar de faxina (62- 3512 7385).

Domingo, Setembro 20, 2009

"O Glamour do Jornalismo"ou "O tanto que a imprensa é amada"

Era quase fim de tarde e quando cheguei outros colegas já estavam na cena do crime. Esperavam informações da polícia e do outro lado, os vizinhos da vítima os mediam. Jornalista de um lado, povo de outro e entre eles uma mulher histérica. Vestida de azul, gesticulava e apontava na direção dos repórteres. Nessa altura, já tinha me juntado aos outros e já sabia que a senhora exaltada era a patroa da vítima e que antes já tinha tido ataques, dado ordens aos policiais, posto a vizinhança contra a imprensa. Não iria admitir que entrássemos na casa, que nos aproximássemos da cena do crime.
Reconheço a dor e a perplexidade de quem enfrenta uma perda, inda mais se for abrupta e violenta. Reconheço que nesses momentos é difícil manter o equilíbrio, mas alguns exageros, um tipo específico de reação, são mais fruto da vontade de aparecer do que qualquer outra coisa.
Entre os repórteres não havia nenhum descompensado. Ninguém fazia sequer menção de invadir a casa, de expor a morta. Sério, comportávamo-nos bem, a espera da delegada que nos daria informações. Mesmo assim, a mulher se alvoroçava. Parecia que iria ter um treco a qualquer minuto. Arrumou uma câmera e veio para o nosso lado. Confesso que não entendi. Como se pode imaginar, não tenho nenhum problema com gravação da minha imagem. Mas para quê? Ela registraria apenas 4 repórteres, 3 de TV e um de Impresso, formando uma rodinha, sob uma árvore. Mas para ela era a glória, era como se estivesse armada a nos ameaçar.
Uma colega, não gostou e não ficou calada: "A senhora quer que eu anote os nomes, eu passo pra senhora". "Não te pedi nada, bem. Fica na sua" - respondeu a mulher, que logo descobri ser advogada.
A colega replicou:"pois eu não autorizo a captação da minha imagem". Bastou a declaração para uma chuva de insultos. A mulher parecia ver em nós os assassinos da empregada. Era como se fôssemos os culpados pelo crime. Éramos "carniceiros", "abusados".
Do lado de cá, eu olhava e só via quatro profissionais vivendo o desconforto de não serem compreendidos.
Nosso trabalho era prover a sociedade de informações sobre as circunstâncias, buscando a transparência das ações policiais, dando publicidade para a sociedade cobrar resultados mais tarde. Ninguém estava contente de estar ali, ninguém optara necessariamente por realizar tal tarefa.
Mas quem entende isso?
Logo outra vizinha saiu de casa berrando porque um cinegrafista estaria filmando a fachada da casa dela. O colega estava na verdade filmando os policiais, parados em frente, na calçada, conversando. Era a movimentação que ele queria registrar, mas a moradora achou que o interesse era mostrar seu imóvel. Gritos, xingamentos, ataques pessoais. Gente apontando o dedo, meneando a cabeça, reprovando.

Lembrei-me de um acidente que cobri. Uma senhora morreu ao bater a cabeça, quando o sobrinho bêbado não freou no semáforo. Estávamos cobrindo, ouvi a conversa da filha da vítima contando o que teria acontecido. Aproximei-me e eis que uma das netas da senhora morta veio pra cima de mim, me chamando de "carniceira" e berrando pra eu sair dali. A moça histérica tinha negado, horas antes, carona à avó. A culpa que sentia pela negligência que provocou a morte da senhora, ela quis dirigir a mim.

Eis o glamour da profissão!

Tudo que eu queria dizer... já dito e bem dito

Penso em ti - (Castro Alves)

Eu penso em ti nas horas de tristeza
Quando rola a esperança emurchecida
Nas horas de saudade e morbidez
Ai! Só tu és minha ilusão querida
Eu penso em ti nas horas de tristeza.

Vê quanta sombra me escurece o seio!
Que palidez sombria no meu rosto!
Tu és a única luz da treva em meio
Tu és a minha estrela do sol posto...
Contigo a sombra não me tolda o seio.

Quando a teus pés o meu viver s'escoa,
Esqueço a minha sorte, o meu martírio,
Minh'alma como a pomba em sangue voa
Para ir se abrigar à tua, ó lírio,
Quando a teus pés o meu viver s'escoa ...

Bendito o riso desses lábios túmidos!
Bendito o meigo olhar tão peregrino!
Como o sol abre a flor nos campos úmidos
Crenças desperta o teu divino olhar...
E o riso, o riso desses lábios túmidos

Ai! volve! volve peregrina estrela...
Minh'alma é o templo de um amor suave
À tua espera o lampadário vela...
À tua espera perfumou-se a nave...
Ai! volve! volve peregrina estrela!
Queres flores? Queres cantos?

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Vergonha

Hoje fui levar umas calças pra fazer barra. Sempre é assim: a costureira acaba tirando quase metade das pernas pra ficar do meu tamanho. Mas não foi isso que me envergonhou, não.
Dona Cida divide uma salinha minúscula com o marido que é sapateiro. O trabalho da dupla é bem feito, mas no aperto. Eu conheci o casal tem alguns meses quando o seu Vilmar salvou uns sapatos de estimação que precisavam de sola ou pintura. Conversa vai, conversa vem, soube que a filha do casal, de 21 anos, sofreu um infarto e um AVC aos 19, durante a gravidez. No fim das contas, Vilmar e Cida, que já contam mais de 50 anos, ganharam duas crianças pra cuidar.
O trabalho não rende muito, como se pode imaginar, e dona Cida ainda precisa interromper o trabalho para levar à filha ao CRER para as terapias, que já estão dando resultado. A moça está voltando a falar, ensaia alguns passos e consegue escrever o nome.
Dona Cida comemorou que a aposentadoria da filha saiu. Pensa que o dinheiro é integrado ao orçamento? "Não, deixo tudo pra ela, é um jeito da menina se encorajar pra continuar lutando por melhora"
Ela agradece a chance de ter colocado Mariane no Crer e fala com satisfação dos milagres que presencia lá. Também se comove com as crianças que sofrem com a espera, irritados às vezes por causa do tédio. Teve uma idéia e já ligou pra todas as irmãs. Quer arrecadar potes de iogurtes e tampinhas de refrigerante para confeccionar bonequinhos para presentear a molecada. "É um jeito de entreter, de levar alegria pra eles"
Foi aí que senti vergonha.

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

31 no 31

Acredito em todos os desejos de felicidade proferidos hoje por quem me abraçou de olhos fechados, ou telefonou, ou mandou e-mail. Quero todo o dinheiro, toda a saúde, toda alegria que me desejaram. Sim, que Deus me abençôe, que Ele me fortaleça, porque eu, Ele e a Kátia, a cantora cega, sabemos que "não está sendo fácil".
Mamãe falou em descobrir caminhos novos, outros mencionaram uns tais caminhos iluminados. É, ser for novo, que seja bem clarinho mesmo, pra eu não pisar em falso.
Continuar assim... entendo o que o amigo quis dizer e agradeço humilde, mas não quero não. Entenda por sua vez também,não é desfeita. É que quero melhorar, preciso tanto! Preciso tanto ser mais amiga, mais companheira, mais equilibrada, menos informada e mais reflexiva. Preciso tanto ser mais radical, mais organizada, mais desapegada do volante do meu carro e mais disposta a ir à academia. Não só à academia de esteiras e bicicletas, mas quem sabe à Academia de estudos, de letras?

Outros 31 de agosto devem vir por aí, considerando o tanto que disseram querer que eu viva...mas os 31 são únicos e vive-los-ei sempre grata, principalmente ao ter oportunidade de fazer uma mesóclise.

Sábado, Agosto 15, 2009

Vicente

Na delegacia, chinelo de dedo, bermuda, camiseta. Ao telefone, Vicente chora. Ao mesmo tempo que informa, toma ciência de que Fabiana se foi. A mulher de quase 32 anos dormiu com ele e acordou morta, sufocada na própria secreção. Vicente não ouviu nada, não percebeu o que acontecia com Fabiana e agora, estava atônito. "Era eu quem devia cuidar dela e falhei! Eu devia ter brigado, insistido com o médico!" — torturava-se.
Fabiana começou a passar mal uma semana antes. Tosses, febre, dor no corpo. Logo Vicente também adoeceu. Brincaram, dividiam tudo mesmo, há nove anos, por que seria diferente com a gripe? "E seria a tal gripe suína?" — gracejaram, inocentes e indefesos.
Vicente ainda não sabe o que aconteceu. O médico disse que era simples. "Simples? Isso é simples? Minha esposa morta, minha dor? Simples pra quem?" — ele tenta entender e acreditar. Olhando para os olhos vermelhos dele, divago. Penso em mim, se fosse eu a perder o amor assim.
Ele percebe que estou quase chorando e desabafa mais. Conta que tentou reanimá-la, fez massagem cardíaca, respiração, chamou os bombeiros. Os olhos molhados se injetam de ira. As mãos se crispam e ele volta no tempo e reclama dos médicos. Diz que passou horas esperando atendimento. "No PSF, passamos toda a manhã. Um médico só para uma multidão em plena quinta-feira. Deu a hora do almoço, ele parou todo o atendimento e foi almoçar. Eu não faço isso na minha profissão! Você não faz isso".
Incoerência, desespero, raiva, perdição diante do imutável.
Fabiana é morta. Vicente, vencido.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

O Conde

Lourenço tem a pele sulcada e um dente de menos que percebo assim que ele me recebe sorrindo. "Quem vai pagar a cerveja" — ele pergunta enquanto eu me certifico de que é ele mesmo o meu entrevistado. Esperava um senhor encurvadinho, taciturno e não o negro alto e bem humorado que se apresenta brincando.
Lourenço reluta em me levar à sua casa. "Tá tudo muito bagunçado"— explica, mas eu não me importo e o coloco no carro. Chegamos e entendi a hesitaçao. Lourenço vive num quarto apertado, cabe a cama encostada na parede e há apenas um pequeno corredor entre a cama e o fogão e a geladeira. Ele come sentado na cama, e tem dois banquinhos onde apóia o prato.
Carrego os dois banquinhos para fora, dentro é abafado demais.
Lourenço foi preso em 1997. Estava na festa de Trindade, louvando o santo de quem era devoto, quando passaram policiais da Rotam e o acharam suspeito. "Preto e pobre, você já viu."
Na delegacia, soube que havia sido condenado a 25 anos de cadeia por homicídio, sem nunca ter sido ouvido por delegado ou juiz. Uma testemunha disse que o vira na companhia dos criminosos que acabaram mortos durante o homicídio que praticaram. Ele estivera mesmo com os bandidos, mas depois tinha ido pra casa tomar banho. Precisava acordar cedo para estar na feira onde trabalhava como açougueiro. "Bastou a palavra de uma pessoa, pra eu perder 9 anos da minha vida"
Os nove anos, Lourenço descreve rápido. Humilhação, violência. Mas imagina o tempo, se esgueirando lentamente, sulcando a pele, embranquecendo os cabelos. "A gente chega de cabeça baixa, mas não é tudo que a gente aguenta."
A mulher não aguentou. Lourenço foi para a cadeia e ela foi embora. "Ela não acreditou em mim".
Pergunto se ele apanhava, se via gente morrer. Ele me conta que estava na pior ala, na ala dos homicidas e latrocidas, viu gente morrer aos montes nas brigas, e apanhou também, dos agentes, muitas vezes.
"Aquilo acabou com o meu chassi", diz rindo, "tenho 46 e anos e lataria de mais de 60". Preciso concordar. Lourenço é velho e tem o olhar dos velhos. Ele me olha bem nos olhos na maior parte do tempo, e é como comunicasse mais assim. Pareço intuir o que ele me diz só de olhar. Em outros momentos ele mira a parede branca do barracão e solta uma frase de efeito: "A justiça quis me fazer um monstro. Mandaram um cordeiro pra fábrica de lobos. Eu quase me tornei um, aprendi tudo para ser um, mas troquei a revolta por paciência, não quis ser monstro."
Lourenço pisca, diz que pelo menos está mais esperto, advinha o perigo, sabe o que é uma ameaça.
Lembro do Conde de Monte Cristo, personagem querido da leitura de Alexandre Dumas que depois vi personalizado no filme. A história coincidia na injustiça, na desumanização que um engano desses promove.

Três anos de liberdade e o reconhecimento do judiciário de que sua prisão tinha sido um erro não consertaram a vida de Lourenço. Ele é visto como homicida e não consegue emprego. Ainda apanha da polícia se é parado na rua. O aluguel, a mãe que paga. A linguiça do almoço, veio da irmã. A filha deu a camisa nova que ele usou na entrevista. "Onde chego pra pedir trabalho, as vagas sempre acabaram"— diz com aquele cara de que sabia que eu estava tentando entender o que era aquilo.
Lourenço recebeu da justiça, a mesma que arruinou sua vida, o direito a uma indenização de 250 mil reais. Longe de ser o tesouro escondido na ilha deserta e diminuta, o dinheiro, no entanto, serviria ao mesmo propósito que ao Conde de Dumas. Lourenço sonha em conseguir construir a vida com a amada. Ele conheceu Rita na cadeia, presa por tráfico. Ela tratou bem dele, Lourenço conta. "Só quero agora viver em paz com minha velha, porque é de paz que precisamos"

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Insignificante

Estava eu no plenário da Câmara de Vereadores hoje quando Santana Pires me viu. O camarada é ex-secretário de fiscalização urbana da prefeitura de Goiânia. Saiu depois que foi flagrado numa confusão com feirantes. Acontece que agora o rapazinho é pivô de outra denúncia que a TV Record está cobrindo e que, por acaso do destino, coube a mim desenvolver em uma das reportagens.
Pois o Santana estava enfurecido e atravessou o plenário direto e reto no meu rumo. Do meio do caminho gritou que minha matéria tinha sido "mais ou menos" dessa vez.
Eita mania minha de dar atenção pra todo mundo.
Respondi: "Você achou, Santana?".
Era o gancho que o sujeito precisava para desaguar o que lhe ia no interior. Que eu me lembre, não pontuou nada, mas falou mal de todos os apresentadores, repórteres e direção envolvidos na cobertura. Chamou-nos a todos de mentirosos e bandidos. "Vocês não precisam mandar câmera escondida pra me filmar, se quiser pode andar 24h comigo!" Esbravejava o homem.
Bom, por mais alto que Santana grite seus argumentos nada vai tirar a legitimidade da denúncia que nos chegou à redação por pessoas que aderiram a cooperativa da qual o rapazinho em questão jura de pé junto que não é dono, mas pela qual é capaz de agredir uma profissional da imprensa no meio de seus colegas. Enfim, isso não vem ao caso. O fato é que o MPF e o MPE estão no caso, investigando. Isso já é um dado suficiente para que o jornalismo sério faça sua parte.
Eu não costumo fechar meus ouvidos às pessoas, mesmo as que estão abaixo de toda suspeita. E no trabalho, costumo agir com certa frieza. Deixei Santana falar e apenas coloquei, nas pausas da respiração do sujeito, que não era comigo nem daquele modo que ele deveria expressar a fúria e o sentimento de injustica dele. Que procurasse os meios certos, oras!
E esqueci. Sério! Não lembrei disso o dia inteiro até que, ao acessar meu twitter aqui de casa, findo o dia, acompanhei os comentários de jornalistas e colegas que estavam no plenário sobre o episódio. Nenhum surpreso com a postura do agressor e todos demonstrando certa compaixão coorporativa por mim.
Achei interessante isso. Pode ser que a coisa tenha sido mais grave do que me pareceu. Meu olhar sobre o episódio foi de um adulto vendo um moleque mimado esperneando. Agi como vi os adultos referência na minha vida agindo com meninos em crise de birra. Dediquei ao agressor e a agressão a insignificância que lhe eram devidos. E ao postar aqui essa história não quero dar espaço ao episódio em si, mas sim à revigorante e consoladora descoberta que fiz. De fato, tenho coisas muito mais importantes na vida e o despeito infundado, a agressão barata, simplesmente não me atingem!

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Tá vendo... Foram elogiar...

A festa era pra elogiar a PM. Discursos de louvor devem ter tomado a tarde no congresso... Tá vendo? Vai elogiar...




A tenente deve ter feito uma cara de "ops" mais ou menos nesse estilo...

Domingo, Agosto 02, 2009

O passado

Eu escrevia mais, e melhor, em 2006.
Mas acho que vivo mais e melhor agora.

Sábado, Agosto 01, 2009

Gastei um dia

Um dia inteiro e não fiz nada. Sabe o que é nada? NADA.
Fiz de propósito. Morguei. Dei-me o direito de manter o pc ligado no colo e navegar por todos os sites bobinhos e reler todos os posts antigos, de amigos e não amigos, em blogs e no twitter. Fiquei testando as ferramentas do Sony Vegas, uma a uma. E sem compromisso de aprender nada.
Desperdicei um dia da minha vida.
Coloquei e tirei roupa da máquina.
Taquei um salmão no formo com sal e alecrim.
Comi.
Tomei banho.
Deixei de ligar para os amigos.
Faltei ao aniversário pra que tinha sido convidada.
E fim. O dia acabou.
E para que eu não diga no futuro que nunca fiz isso, registrado está.

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Abstinência

O Globo falou o que eu já sabia.



Indo sozinho pro raio que o parta


Você já viu a propaganda da Amil?Acho que o texto foi escrito por um membro das comunidades de Alto Paraíso ou por um magistrado, desses que acham que escrever é pra qualquer um.

Sério, no final, quando o cara diz: "mas tem um detalhe, eu não vou sozinho não", tenho vontade de bater nele!!!!Não sentiu vontade de bater? Assiste de novo e presta atenção agora.

Sábado, Julho 25, 2009

Presentinho


Ganhei numa promoção do Digestivo Cultural. E não é que a leitura é agradável?

Terça-feira, Julho 21, 2009

Metáfora

Ainda pensando sobre as pessoas, se mudam ou não, se vale a pena acreditar ou não.
Dia desses, comprei uma barra de chocolate no Pão de Açúcar que prometia ser 85% de cacau. Acostumada com Lacta e Garoto, achei que ia ser o máximo. Quando eu e minha amiga chocólatra mandamos pra dentro o primeiro tablete, foi trágico. O chocolate puro era muito amargo. Nem parecia feito de cacau, parecia feito de boldo.
Conclusão, a fina barra permaneceu esquecida no armário até que ontem comprei leite condensado e creme de leite.
Pronto.
Bastou por no fogo, só pra derreter o chocolate, tudo misturado.
Fez-se doce. Fez-se bom. Sacou?

Sobre julgamentos

Formar um julgamento justo. Essa tarefa sempre me deixa em parafusos.
Hoje entrevistei Júlio César, o rapaz que foi pintado como vilão na história do tiro que acertou a cabeça de um estudante de 16 anos que saia do cinema.
A entrevista foi olho no olho, mais de 15 minutos de conversa entre prelúdio, perguntas, respostas e despedidas. Eu o tratei com respeito e até empatia e não fiz mais que a obrigação. É assim que se trata as pessoas. Ele insistiu que não premeditou o crime, que não sabia que o colega iria atirar, defendeu o colega, dizendo que nem ele sabia, que tudo não passou de um acidente.
No fim, foi capaz de pedir perdão. Verdadeiro? Definitivamente, não sei.
Coberturas assim são tão desgastantes! Dos dois lados há famílias, uma profusão de sentimentos, histórias ricas, futuros indecifráveis. Os direitos das vítimas são indiscutíveis. Mas quem são os que estão do outro lado? Monstros? Meninos sem rumo? Folgados egoístas? Gente desacreditada? Psicopatas? Homens incompletos? Mortos no espírito? Casos perdidos?
Quem sabe? Quem afirma?
Quem julga?

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Propósito e Esperança

"Deve haver um propósito". Com essa frase o pai de Felipe concluiu a apresentação rápida que fez do filho para mim. Sob os olhos do pai, Felipe era impecável: estudioso, bem relacioanado, obediente, responsável. Estávamos na DPCA, onde esperávamos a delegada que comandou a prisão dos dois homens que teriam atirado no filho de Nelson, sem motivo. Nelson queria agradecer o empenho dos policiais, eu queria fazer meu trabalho.
Ali, em pé, o homem tinha os braços cruzados, e olhos no céu. Não sei o que Nelson sentia e sente, mas desconfiei logo de que respirava esperança.
Nelson já tinha ido embora quando a delegada mandou chamar os homens presos por terem atirado em Felipe.
Júlio César e Fabrício são bem criados. Altos, fortes, pele bem tratada. Devem comer bem e malhar. Os pais os acham lindos, bom moços.
E não os conheço, não sei nada deles, mas diante do que foram capazes de fazer, eu só os imagino em sua vida arrogante. Penso neles e os vejo no trânsito: seriam os folgados que param em fila dupla ou que cortam e ultrapassam indevidamente. Penso neles furando fila, ouvindo música alta de madrugada. Mimados, maltratando os mais simples, dando birra em casa, brigando por comida, por direitos. Imagino-os como namorados volúveis, incapazes de fidelidade. Jovens barulhentos e sem conteúdo, é assim que se portam em minha imaginação alimentada por tantas cenas que já vi na rua, de outros Julios e Fabrícios potenciais.
Esforço-me, mas não consigo conciliar em meu raciocínio qualquer virtude com o ato de transformar um desconhecido em alvo. Vejo-os num carro novo, reduzindo a velocidade frente ao ponto de ônibus, empunhando a arma, apertando o gatilho, satisfeitos pela mira.
É claro que, para os parentes, eles são bons moços. Bons moços que agora só olham para o chão. Não é arrependimento, não é vergonha. Não há lágrimas nem rubor para que se lhes dê o direito da dúvida. Eles não querem a imagem veiculada, só isso. Não querem a única punição a que poderiam estar sujeitos, a punição social.
Olham para o chão e eu me pergunto se, para eles, haveria esperança ou se estão fadados a esta vidinha sem propósito.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Quando eu era menina...

Não precisava ouvir um tanto de bobagem que me açoita hoje.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Medo de MJ

"Eu me lembro, eu me lembro era pequeno..." - já diria o Cassimiro de Abreu, mas, no meu caso, não era o mar que bramia e sim o jovem Michael Jackson que amedrontava criancinhas em Thriller.
Eu sei que o álbum foi lançado em 82, mas acredito que foi exibido no fantástico mais tarde. Em 82 eu teria 3 aninhos... lembraria com tamanha nitidez do pavor que senti ao ver aquele clipe pela primeira vez?
Foi aterrorizante.
Os zumbis saindo das tumbas, o MJ monstro, aquela dança horrorosa... Eu nem precisava entender inglês para saber que a mocinha estava em apuros.
Dei trabalho para minha mãe depois. Lembro bem. Nosso banheiro ficava do lado de fora da casa (não era na roça, mas foi uma etapa durango kid da infância). E pra ir ao banheiro depois do fantástico? Como enfrentar a noite se as notas de Thriller não descolavam da memória?
Lembro da minha mãe me consolando, mas não adiantava saber que era mentira.
MJ me convencera de que era um monstro. Fui crescendo e ouvindo histórias do homem que dormia em uma bolha para não envelhecer, do alvejante na pele, do explorador de criancinhas, do nariz que caiu no meio do show.
Fiquei adulta a tempo de conceder indulgência ao rapaz. Entendi que ele era mais assustado que assustador, tão vítima quanto outros tantos que conheci por aí, com alguns milhões a mais.
Now, Michael is dead. E voltou a dar medo. Não é que o vídeo mais famoso da internet é sobre um fantasma em Neverland, passando pelas lentes ao melhor estilo moonwalk? O fantasma era black... Êita povinho besta!

Terça-feira, Junho 23, 2009

Mais 30 dias, por favor!!!!


Minhas férias estão acabando...
ô tristezinha

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Ausência

Fecho os olhos. Tento não ver a Ausência crescendo na sala, sentada no sofá, pernas roxas cruzadas, dedos tilintantes a bater na mesa de canto. Fecho os olhos e sigo esbarrando nos móveis, na camisa que ficou jogada e ouço a respiração pesada da Ausência que me encara. Não olho, mas sinto sua baforada quente e percebo seu sorriso cínico.
Sigo, com vontade de fugir. A ausência me assusta.
Vontade de me trancar no quarto, de não fazer as unhas ou tirar a sombrancelha. Assim, quem sabe, não sou eu a assustar a Ausência?
Canto alto, falo, grito para que o barulho a encubra. Não adianta. Se eu respiro, o silêncio basta para que eu ouça seu murmúrio infinito.
Ela cresce e eu me restrinjo.
Não quero seu abraço, Ausência. Nem o seu sorriso.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Diploma de jornalista

A defesa da obrigatoriedade do diploma de jornalista por uma jornalista soa suspeita. Bem, agora soa suspeita e inútil...Mesmo assim, vou pontuar razões para lamentar a decisão do STF.
O argumento das empresas de comunicação, principais interessadas nessa falácia, é de que a obrigatoriedade cerceia a liberdade de expressão e que em países como EUA e Japão o diploma não é exigido.
Bom, em países como EUA e Japão o nível de educação do povo é muito diferente do encontrado por aqui. Os cursos americanos de jornalismo continuam concorridos porque a exigência da formação e de bagagem parte do público consumidor de informação e, por sua vez, move as empresas. Vale lembrar que nos EUA, votar também é voluntário.
No Brasil, infelizmente, consome-se qualquer coisa.(Brasília que o diga.) A única razão para as empresas de comunicação cultivarem profissionais mais capacitados e, por isso, mais caros era a exigência legal.
Ouvi dizer: deixa estar, isso é passageiro. A sociedade vai sentir falta do profissional formado e exigir a volta da obrigatoriedade.
Lamento, mas não acredito nisso. A única esperança para a sociedade brasileira era ser desperta pela educação. Se não se ouvirem vozes martelando essa verdade, se não existir gente compromissada com a formação cultural de alto nível, defendendo essa matéria, a população vai se entreter com qualquer outra coisa e esquecer. Os exigentes vão procurar a CNN e a BBC, os ricos zapeando pelos canais fechados, os não-tão-ricos, no youtube mesmo.
Os noticiários serão tomados por gente mais bonita, as páginas dos jornais ficarão nas maõs de quem se dispõe a trabalhar por salários cada vez mais achatados, com carga-horária cada vez mais pesada, sem chances de aperfeiçoamento. E não será agora, nem depois de amanhã, mas a qualidade do jornalismo vai cair. É inevitável.
Como jornalista há quase 10 anos, não temo a concorrência. Não temo o aumento das faculdades, mas temo com profunda tristeza viver num país que despreza os critérios.
Temo a barganha profissional, temo a opressão e a escolha entre me curvar ou mudar de ramo. E, definitivamente, não acredito nessas liberdades pautadas na ignorância e na promoção do medíocre.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Bati

Bati o carro, só machuquei meu ego e meu bolso, claro.
Do volante do meu ford Ka, já fiz um Sport Age capotar, há uns 5 anos.
Agora, quis medir força com um Troller.
Ninguém pode negar que o Jaiminho, meu Ka, é valente.
E agora, com 10 anos, o possante já não paga IPVA! Vou arrumar e ficar com ele :)

Sábado, Maio 23, 2009

Recomendação

Blog do meu marido.
Até hoje não me acostumei a "ter marido". É estranho. Aí fico falando dele pra todo mundo que é pra me convencer de que ele existe mesmo e eu não estou sonhando.
Bom, se ele não existir, nesse momento tem uma alucinação ouvindo (e dançando) Jethro Tull aqui do lado... Enfim, confira lá o L. Reporta.